Pobreza na América Latina afeta sobretudo mulheres e jovens


Sete milhões de latino-americanos ficaram pobres em 2015 e entre 25 e 30 milhões em situação vulnerável correm o risco de voltar à pobreza nos próximos dois anos, alertaram hoje três organizações internacionais, num relatório conjunto.

Capacitar os 40% de jovens na América Latina que não ocupam postos formais de trabalho, nem estudam, poderia “desencadear novos motores de crescimento”, segundo o relatório “Perspetivas de Económicas da América Latina 2017”, hoje divulgado.

O trabalho, produzido pelo Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE), pela Comissão Económica para a América Latina e o Caribe, das Nações Unidas (CEPAL), e pelo CAF Banco de Desenvolvimento da América Latina, aponta para uma redução do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe entre 0,9% e 1% este ano.

A estimativa configura o segundo ano consecutivo de crescimento negativo e “uma taxa de contração que a região não vê desde o início dos anos 80”.

No documento, refere-se que a região deveria recuperar em 2017, com “um crescimento modesto do PIB, entre 1,5% e 2%, abaixo do crescimento esperado para as economias avançadas”.

As três organizações recomendam “investir na juventude através de uma melhor educação, do aprimoramento das habilitações e de oportunidades de empreendimento” para incentivar o crescimento económico e construir uma base sólida para o progresso em longo prazo.

“Os jovens adultos representam um quarto da população da América Latina. A capacidade de aproveitar esse dividendo demográfico de 163 milhões de pessoas com idade entre 15 e 29 anos é crucial”, escrevem os relatores.

O relatório, lançado hoje durante a 25.ª Cimeira Ibero-americana em Cartagena, mostra como os condicionamentos de ordem social, étnica, geográfica e de gênero, influenciam o percurso das pessoas ao longo da vida.

De acordo com o estudo, cerca de 30 milhões de jovens na região da América Latina e Caribe não estão a trabalhar, nem a estudar, nem em formação (os chamados NEET, na sigla em inglês) o que representa 21% da população nessa faixa etária, contra 15% nos países da OCDE.

“Outros 19% dos jovens encontram-se em empregos informais. As mulheres são particularmente afetadas, representando 76% dos NEET e ocupando principalmente postos de trabalho não remunerados”, lê-se no relatório.

Pelo menos seis em cada 10 jovens que vivem em núcleos familiares pobres são NEET ou trabalham no setor informal e quatro em cada 10 jovens que vivem em lares de classe média em situação vulnerável são NEET ou possuem empregos informais.

“A região pode ganhar ao melhorar a inclusão dos jovens e oferecer educação de qualidade e oportunidades para expandir”, observou Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, citada no documento de apresentação do relatório divulgado à imprensa.

“A falta de boas oportunidades de emprego e a fraca transição da escola para o trabalho estão a dificultar a inclusão dos jovens e a decepcionar as expectativas na nossa região”, acrescentou, frisando que uma percentagem muito grande de jovens não tem acesso aos serviços públicos, à economia e à mobilidade social.

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